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"Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Machado de Assis"
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domingo, 1 de junho de 2008

Lilica Mora Aqui, primeiro ano no blogger

Lilica Mora Aqui começou em Agosto 2006 no "space", em 02 Junho 2007 mudei para o blogger. Como já contei o início do blog, para comemorar a data festiva resolvi responder a pergunta que não quer calar: Por que os morangos e porque Clarice Lispector?

"Por enquanto é tempo de morango, sim", é assim que finaliza a obra A Hora da Estrela de Clarice Lispector, e foi à maneira que encontrei para iniciar o Blog LILICA MORA AQUI.

No romance, Clarice cria autor-narrador Rodrigo S. M., que tem a função de questionar o estilo da própria Clarice e seu olhar social. Rodrigo S.M. um desdobramento do próprio eu da escritora, uma espécie de heterônimo.


Começa a entender? Vamos agora aos morangos...

Rodrigo S.M. conta a história de Macabéa, nordestina, corpo franzino, doente, feia, maus hábitos de higiene. Seu sonho maior era ser igual Marilyn Monroe, ela não sabe quem é, o que a torna incapaz de impor-se frente a qualquer um. Algumas delimitações que Rodrigo S.M. elabora para Macabéa são tragicamente líricas: Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim. (...) Tornara-se apenas vivente em sua forma primária. (...) Era apenas fina matéria orgânica. Existia. Só isto.


Macabéa, mora no Rio de Janeiro, começa a namorar Olímpico de Jesus, nordestino ambicioso, que não vê nela chances de ascensão social de qualquer tipo. Assim sendo, abandona-a para ficar com Glória, colega de trabalho de Macabéa; afinal, o pai dela era açougueiro, o que lhe sugeria a possibilidade de melhora financeira.


Triste, Macabéa busca consolo na cartomante, que prevê que ela seria, finalmente,
"feliz... a felicidade viria do estrangeiro". De certa forma, é o que acontece: ao sair da casa da cartomante, Macabéa é atropelada por Hans, que dirigia um luxuoso Mercedes-Benz.


Nesta hora exata, Macabéa sente um fundo enjôo de estômago e quase vomitou, queria vomitar o que não é corpo, vomitar algo luminoso. Estrela de mil pontas.
Esta é a sua 'hora da estrela', momento de libertação para alguém que, afinal, 'vivia numa cidade toda feita contra ela'.

Terminar a narração para Rodrigo S.M. representa não apenas o fim da escrita de uma história melancólica como também a percepção de sua finitude pessoal. Perplexo, ele visualiza na morte de Macabéa a sua própria: 'Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas – mas eu também?!'


O texto sugere que Macabéa e a própria Clarice, apesar das diferenças sociais, intelectuais e de visão de mundo que os separavam, tinham uma identidade comum, irmanavam-se e convergiam para um mesmo destino, simbolizado pela metáfora 'a hora da estrela', ou seja, a morte, 'pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um, e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes'.

Ela escreve: 'Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta, continuarei a escrever. (...) Pensar é um ato. Sentir é um fato.'

'Tudo no mundo começou com um sim.' É preciso dizer sim para que algo comece, por isso, ela diz 'sim' a Macabéa.
Eu vos pergunto:
- Qual é o peso da luz?
E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - mas eu também?!

Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim.'

Enfim, descobrimos, agora, que tudo começa e acaba com um sim. Também é preciso coragem para morrer, silêncio para ouvir o grito da vida.

A Hora da Estrela - Filme



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Álbum da Lilica - Fotos publicadas aqui

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