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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Carnaval

Marchinhas de Carnaval

O samba, gênero musical que data bem antes de 1916, ano da gravação de Pelo telefone, de Donga, passou a ser sinônimo de Brasil. Mas na disputa entre os dois gêneros, o samba e a marchinha, durante bom tempo, ao menos na época do carnaval, o segundo reinou soberano nos salões de baile.
Por isso, contar a história das marchinhas é, de certa forma, narrar a história do Carnaval. Por baixo do pó-de-arroz, as marchinhas faziam sucesso desde os primeiros anos do século. Espécie de embrião das escolas de samba, os cordões de foliões agitavam as ruas do Rio de Janeiro. E nas festas, eles cantavam e tocavam marchinhas.
A fórmula de sucesso era razoavelmente fácil: compasso binário, como a marcha militar, andamentos acelerados, melodias simples e de forte apelo popular, e lógico, letras irônicas, sensuais e engraçadas. As letras, aliás, agradavam demais os foliões.
Muitas delas continuam atuais. Crônicas urbanas, elas tratam normalmente de temas cotidianos. Histórias do dia-a-dia dos subúrbios cariocas. Por muitas vezes, tinham conotação política. O ambíguo, o duplo-sentido, era muito explorado. Uma forma de dar leveza a temas que não eram assim tão "leves". "Elas têm uma vertente jornalística. Por exemplo, foram feitas marchinhas para Hitler, para as duas fases do Getúlio Vargas, a do Estado Novo e a de sua volta nos braços do povo.", explica Omar Jubran, vencedor do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte.
As marchinhas de carnaval tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 50. Depois delas, muito foi produzido, pouco aproveitado. Algo que perdura até os nosso tempos: muita quantidade, pouca qualidade. Jubran arrisca uma explicação: "O apogeu do gênero está relacionado à popularização do disco e do rádio." Nomes como Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Sílvio Caldas e Carmen Miranda, os grandes cantores da época, gravaram marchinhas e com elas venceram muitos carnavais.
Os principais compositores, que escreveram aclamadas músicas de festa, foram Noel Rosa, João de Barro (pseudônimo de Braguinha), Lamartine Babo e Ary Barroso.
Entre as muitas músicas, que até hoje estão no imaginário popular brasileiro, vale destacar Touradas em Madri, de João de Barro e Alberto Ribeiro, composta para a Guerra Civil Espanhola, que teve início em 1936; Chiquita Bacana, de João de Barro e Alberto Ribeiro, lançada em 1949, era uma interpretação muito particular do existencialismo, mas que não se referia propriamente às idéias de Jean-Paul Sartre.
Também seria impossível não lembrar de O teu cabelo não nega, dos Irmãos Valença e de Lamartine Babo, de 1932; Mamãe eu quero, de Jararaca e Vicente Paiva, de 1937, que levada por Carmem Miranda aos Estados Unidos chegou a ser gravada por Bing Crosby; Allah-la-ô, de Haroldo Lobo e Antônio Nássara, sucesso de 1941; e Yes, nós temos bananas, de João de Barro e Alberto Ribeiro, destaque de 1938 que trazia uma crítica bem-humorada à empáfia dos norte-americanos.
Dos anos 60 em diante as marchinhas começaram a perder espaço para os sambas-enredo. As escolas de samba, agremiações de grandes sambistas, começavam a ditar quais eram os sucessos. Alguns compositores, como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas. Caetano Veloso também se arriscou, mas flertou com outro gênero, o frevo, que anima em Pernambuco, tal qual as marchinhas no Rio de Janeiro, a festa de carnaval. Mas ficou nisso.
Nos anos 80 algumas regravações chegaram a fazer sucesso, como Balancê, de João de Barro e Alberto Ribeiro – talvez a maior dupla de compositores de marchinhas -, lançada por Gal Costa em 1980 e Sassaricando, de Luís Antônio, Jota Júnior e Oldemar Magalhães, gravada por Rita Lee para a trilha sonora da novela Ti, Ti, Ti.... Mas era muito pouco para um País que somente em 1952 produziu cerca de 400 músicas de carnaval, a maioria delas marchinhas alegres e divertidas.
As marchinhas lindas
Mais marchinhas nas páginas de João de Barro e Lamartine Babo.

Tributo a Carmen Miranda e seu visual que é um verdadeiro carnaval.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Estou preocupada com o Oscar....

Imagine só, a Globo decidiu não transmitir a cerimônia do Oscar, que este ano cai no domingo de Carnaval. :-((

Gosto de ver o Oscar ao vivo, mas a poderosa não deixa (snif), tudo bem que domingo de Carnaval não ia rolar mesmo...

E por falar em Carnaval, veja os post antigos:
Carnaval: MAchinhas

Pierrot e Alerquim

Quesito: Enredo

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pierrot e Arlequim

VOU BEIJAR-TE AGORA,NÃO ME LEVE A MAL

Se não é nada fácil a harmonia dos pombinhos em tempos normais, no carnaval, valha-me poderoso Jeová, o knorr do amor entorna de vez.

Até o mais pudico dos casais prevarica, o mais convertido dos ex-canalhas faz besteira, a mais sonsa das donzelas tira uma casquinha nas ladeiras de Olinda e a mais guardada moça do caritó sente-se no jogo de novo e vai à forra...

Vai à luta, justíssima, cheia de esperança, é a chance de pegar um desses galegos importados das terras em que as mulheres não têm bunda, recurso que não lhe falta, orgulhosa, feliz e fagueira proprietária de um latifúndio dorsal imbatível. Daqueles capazes de deixar um membro do MST louco para pular a cerca e cortar o arame farpado do desejo proibido.

O mais correto, para imitar Mark Twain no seu “Manual para a maldita raça humana”, seria, durante o tríduo momesco, afrouxar o nó cego do moralismo e deixar o bicho correr solto na capoeira.

Dama para um lado; cavalheiro para o outro. Se possível mascarados, fantasia de clóvis, pierrôs e papangus, para o álibi ser completo, seja no “I love cafusú” -o mais pecaminoso bloco do carnaval de Pernambuco-, na folia brejeira de Aracati ou na “República do Beijo” lá em Diamantina.

Para que se desgastar em intermináveis e vexaminosos barracos públicos? Melhor entregar a sorte aos ursos pés-de-lã e às ursas manhosas que estão em todos os blocos, troças, cordões e fuzarcas.

Chifre de carnaval é fantasia, adorno, alegoria, não resiste à marca da cinza cristã da quarta-feira, não sobrevive à ressaca moral da quaresma.

Não dói, não pega nada, no dia seguinte lá estarão vocês dividindo a mesma aspirina, a mesma macaxeira com charque, o mesmo baião-de-dois com nata, o mesmo feijão tropeiro, a mesma rotina-tapioca da harmonia dos lares, a mesma sustança que nos refaz independentemente da lavagem de roupa suja.

Então tá combinado, a partir de hoje cada um vai para o seu lado. Bom se pudesse ser assim, fácil, mas o sangue quente não deixa, somos passionais, corações ao molho pardo, corações à cabidela, vixe!

Não tem jeito, não há dica ou manual de bom senso, será sempre o mesmo drama, “diz que me ama, porra”, como na canção clássica de Olinda.

Antes era mais leve, mais fácil mesmo, era só correr ao “Baile dos Casados”, no Clube Atlético de Amadores, bairro de Afogados, no Recife, que sempre foi genial nesse aspecto “gaiero”, um refúgio histórico da traição lúdica e tão-somente carnavalesca. Evoé, Baco!

Óbvio, amigo, você ai que me cutuca ao longe, que existem os pombinhos que se divertem lindamente juntos, numa boa, numa nice, na buena onda da maresia social clube. Mas são tão poucos, amigo, que até esmoreço.
De casalzinho ou na safadeza propriamente dita, que brinque em paz e que a ressaca lhe seja leve na quarta.

Escrito por Xico Sá

Quesito: Enredo

Não é só gringos como Matthew Shirts, colunista do Estadão, que acha a organização das escolas de samba estranha, a brazuca aqui também. Separei alguns trechos da crônica “O carnaval dos fenícios” (12/02/2007), com as experiências dele no carnaval paulistano. Olha a Pérola Negra aí gente!


“Tentava lembrar, antes de chegar no restaurante, em qual das alas da Pérola minha filha Maria queria sair, se a dos hindus ou a dos fenícios.

..... me disseram, como a escola subira ao grupo especial, este ano sairíamos vestidos de fenícios. Se a Maria desfilasse na mesma ala seria mais fácil para mim, já que poderia reservar nossas duas fantasias no restaurante do Pasquale mesmo, com sua esposa, Cleide.

Não sei se alguém já estudou os métodos de gerenciamento das escolas de samba. São curiosos, pelo menos para um americano. E, à primeira vista, parece improvável que vão trazer resultados práticos. Quem for a um ensaio tem a impressão de que quase ninguém, ali, está trabalhando com o objetivo de colocar 3 mil pessoas 'na avenida' em uma apresentação televisionada para o País e o mundo.

Na edição da revista Exame que está nas bancas, o colunista J.R. Guzzo descreve os programas eleitorais de campanhas presidenciais, nas quais, segundo ele, 'se faz uma simulação de intensa atividade na equipe do candidato'. 'Sempre aparece, ali', escreve, 'uma porção de gente de gravata e cara de conteúdo, andando de um lado para outro numa sala cheia de computadores, gráficos e outros sinais exteriores de trabalho em alto nível. Os participantes fazem de conta que trocam informações entre si, falam ao telefone ou se concentram na tela e no teclado de seu monitor. A idéia é transmitir um clima de operosidade e profissionalismo, e dar a impressão de que as pessoas ali presentes sabem o que estão fazendo. Funciona porque há gente que vê aquilo e acredita que seja verdade.'

Nos ensaios das escolas de samba acontece o contrário disso. Tenho a impressão, até, de que as pessoas se esforçam para parecer que nada fazem. Nem a letra do samba-enredo lêem. A bateria toca sem descanso, é verdade. Mas, de resto, o que se vê é gente conversando, tomando cerveja, no máximo uns passinhos da porta-bandeira com o mestre-sala. Na hora 'H', como se diz (por que será?), todos saberão como proceder. É difícil acreditar que isso funcione, e quase impossível imaginar que vai ser, ainda, pontual.

Por via das dúvidas, encomendei uma fantasia de fenício para a Maria também. Bom americano que sou, tinha medo de não conseguir a dos hindus de última hora.

No dia seguinte, encontro um e-mail da minha amiga Marina Moraes, oferecendo as últimas fantasias da ala do jacaré. O tema da Pérola este ano é 'Venda como arte, comércio como sua principal representação'. Só mesmo no Brasil é possível reunir hindus, fenícios e répteis fluviais de grande porte numa apresentação musical sobre vendas. Não perca. A Pérola será a primeira escola do Grupo Especial a desfilar na noite de sábado, dia 17.”


quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Leitura do dia.

Deus é brasileiro, mas não sabe onde fica o Pará

Em cerimônia realizada nesta terça-feira (20), no Planalto, Lula repisou a velha máxima segundo a qual “Deus é brasileiro.” Pode ser. Mas, a julgar pelo drama que a polícia da governadora petista Ana Júlia Carepa impôs a uma jovem brasileira, o Todo-Poderoso não sabe onde fica o Pará. Blog do Josias
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Vamos emendar até o Carnaval! "Onde estou? De onde viemos e para onde vamos? O despertar do feriadão mais longo do planeta. Ai, que preguiça. Dava pra emendar até o Natal? E depois a gente emendava até o Carnaval. E depois emendava até a Semana Santa. E aí virava uma emenda provisória!" Zé Simão
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Umberto Eco investiga fascínio exercido pelo feio
Para escritor italiano, feio é sempre o "outro", aquilo que não conhecemos; livro sugere que, hoje, noção foi incorporada à idéia de belo. .... A beleza, afinal, é fácil. Por que o feio nos aterroriza e fascina há tanto tempo? Folha de S.Paulo, clique
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PARA A FOLHA, LULA É MACUNAÍMA

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.

. “... Lula é de outra espécie. – um tipo de Macunaíma rendido ao pragmatismo fisiológico e corrupto da política brasileira”. (O grifo do Paulo Henrique Amorim)

. Trecho do artigo “Tolices demofóbicas”, publicado nesta segunda-feira, dia 19, na página dois da Folha, por Fernando de Barros e Silva. (Clique aqui para ler - apenas para assinantes da Folha).

. “Macunaíma”, como se sabe é um clássico da literatura brasileira, de Mario de Andrade, de 1928.

. Quem é Macunaíma, o Lula da Folha ?

. Mario de Andrade o define no subtítulo do romance: “O herói sem nenhum caráter”.

. O que mais se sabe desse personagem, o Macunaíma-Lula, da Folha ?

. Vamos recorrer a outro autor clássico do ensaismo brasileiro, Alfredo Bosi.

. Na “História Concisa da Literatura Brasileira”, Editora Cultrix, São Paulo, 1978, diz Bosi: “Simbolicamente, a figura de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, foi trabalhado como síntese presumido do ‘modo de ser brasileiro’ descrito como luxurioso, ávido, preguiçoso e sonhador ... o ‘herói sem nenhum caráter’ é uma espécie de barro vital, ainda amorfo, a que o prazer e o medo vão mostrando caminhos a seguir, desde o nascimento em plena selva amazônica e as primeiras diabruras glutonas e sensuais, até a chegada a São Paulo moderna em busca do talismã que o gigante Venceslau Pietro Petra havia furtado. Não podendo vencer o estrangeiro por processos normais, Macunaíma apela para a macumba: depois de comer cobra consegue derrotá-lo ... Há transformações cômicas, nascidas da agressividade do instinto contra a técnica: Macunaíma transforma um inglês da cidade no London Bank e toda São Paulo em um imenso bicho-preguiça de pedra.” (Pág. 396)

. Vamos passear agora pela maravilhosa “História da Literatura Brasileira”, de Luciana Stegagno-Picchio, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997.

. Quem é Macunaíma? Responde a professora Stegagno-Picchio: “Herói sem caráter, índio-negro e depois branco com olhos azuis, preguiçoso, licencioso, cruel, coração-mole, ávido de dinheiro, malicioso, desleal, capaz de qualquer ardil e coragem ... em busca constante de seu graal individual ...” (Pág. 489).

. Este Máximas e Mínimas é a modesta contribuição do Conversa Afiada ao Dia Nacional Contra o Racismo.

Conversa afiada.

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terça-feira, 11 de março de 2008

É, tudo mudou...

  • O rouge virou blush
  • O pó-de-arroz virou pó-compacto
  • O brilho virou gloss
  • O rímel virou máscara incolor
  • A Lycra virou stretch
  • Anabela virou plataforma
  • O corpete virou porta-seios
  • Que virou sutiã
  • Que virou lib
  • Que virou silicone
  • A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
  • A escova virou chapinha
  • "Problemas de moça" viraram TPM
  • Confete virou M&M
  • A crise de nervos virou estresse
  • A chita virou viscose.
  • A purpurina virou gliter
  • A brilhantina virou mousse
  • Os halteres viraram bomba
  • A ergométrica virou spinning
  • A tanga virou fio dental
  • E o fio dental virou anti-séptico bucal
  • Ninguém mais vê...
  • Ping-Pong virou Babaloo
  • O a-la-carte virou self-service
  • A tristeza, depressão
  • O espaguete virou Miojo Pronto
  • A paquera virou pegação
  • A gafieira virou dança de salão
  • O que era praça virou shopping
  • A areia virou ringue
  • A caneta virou teclado
  • O long play virou CD
  • A fita de vídeo é DVD
  • O CD já é MP3
  • É um filho onde éramos seis
  • O álbum de fotos agora é mostrado por email
  • O namoro agora é virtual
  • A cantada virou torpedo
  • E do "não" não se tem medo
  • O break virou street
  • O samba, pagode
  • O carnaval de rua virou Sapucaí
  • O folclore brasileiro, halloween
  • O piano agora é teclado, também
  • O forró de sanfona ficou eletrônico
  • Fortificante não é mais Biotônico
  • Bicicleta virou Bis
  • Polícia e ladrão virou counter strike
  • Folhetins são novelas de TV
  • Fauna e flora a desaparecer
  • Lobato virou Paulo Coelho
  • Caetano virou um chato
  • Chico sumiu da FM e TV
  • Baby se converteu
  • RPM desapareceu
  • Elis ressuscitou em Maria Rita?
  • Gal virou fênix
  • Raul e Renato,
  • Cássia e Cazuza,
  • Lennon e Elvis,
  • Todos anjos
  • Agora só tocam lira...
  • A AIDS virou gripe
  • A bala antes encontrada agora é perdida
  • A violência está coisa maldita!
  • A maconha é calmante
  • O professor é agora o facilitador
  • As lições já não importam mais
  • A guerra superou a paz
  • E a sociedade ficou incapaz...De tudo.
  • Inclusive de notar essas diferenças.
*****Luiz Fernando Veríssimo

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

E tudo mudou

O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma

O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM
Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
E ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, virou depressão

O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
O long play virou CD
A fita de vídeo virou DVD
O CD já é MP3
É um filho, onde éramos seis ou mais
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo

O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween

O Fortificante não é mais Biotônico
Folhetins são novelas de TV
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?

Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

..... De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças.
(Luis F. Verissímo)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Eu poderia estar roubando, mas estou apenas pedindo.

Queridíssimo... É realmente dramático, depois das festas de final de ano, as férias de verão (que não as tenho, mais gasto), vem o carnaval, que, aliás, até hoje não entendi o porque é considerada festa popular, até o espaço aéreo é pago e absolutamente tudo é mais caro.

Ai vem um show da Bob Dylan, que está muuuuito caro! Estou passando o pires, você pode me dar uma credencial VIP? Eu estou pedindo, poderia estar roubando e tal...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Perguntas

Viver requer habilidades...

Fui assistir "Meu Nome Não É Johnny", eu gosto muito da interpretação e do humor do Selton Melo, ponto, não vou entrar na avaliação crítica da obra. Não sei se o diretor tentou copiar Tarantino, se reproduz de forma clichê e blá, blá. Eu entrei no cinema porque era o único filme no horário e não queria esperar. O cinema brasileiro melhorou muito, em 6 salas, 4 era de filmes nacionais, e nenhum dos Trapalhões ou Xuxa, não é o máximo?

Voltando ao filme, ele me fez pensar sobre a descriminalização das drogas. Recentemente, em um programa da TV Cultura, os especialistas se declararam favoráveis, diziam que não iria piorar a situação atual. Em tese eu não concordo, mas não sei o que é melhor. Há vários temas atuais que fico confusa.

Hoje a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou a Campanha da Fraternidade de 2008 o tema escolhido foi a defesa da vida desde a concepção até a morte. O pano de fundo é o combate à proliferação do aborto. Sou católica, acho que não faria um aborto, mas não acho certo proibir todos de fazerem, cada um com sua fé. Vez ou outra leio declarações de políticos propondo plebiscito sobre temas polêmicos, eles também não sabem o que fazer.

O mundo está complicado, perguntas que não querem calar em qualquer mesa de bar, são elas:

1) descriminalização das drogas;

2) descriminalização do aborto;

3) desarmamento;

4) eutanásia;

5) cotas para negros;

6) pesquisas células tronco

7) distribuição de pílulas do dia seguinte;

8) qual o tamanho ideal do tapa sexo nos desfiles de carnaval e etc.

Aff, não sei, sei lá, droga!

Eu não sou ex-BBB e tão pouco jogador de futebol para opinar sobre tudo!

Você sabe todas as respostas?

Sei...

Então me diga:

- Por que o João insiste em falar com a gente pelo Laptop no banheiro?

- Coisa desagradável João.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Como esquecer um amor

Você foi deixado. Levou um pé-na-bunda assim, sem mais nem menos, de uma hora para outra. Justo no momento em que achava "agora vai". Você nunca se sentiu tão feliz ao lado daquela pessoa; era capaz de buscar água na peneira para ele (ou ela), comprar a lua ou as estrelas, mesmo que isso implicasse um financiamento a perder de vista com juros de 7% ao mês. E eis que você dorme ouvindo um cintilante "eu te amo" e acorda com um "não dá mais".

Pobre criatura. Seja bem-vindo ao time dos enjeitados. Se serve de consolo, o primeiro fora é o pior. Depois, você acaba aprendendo a cair, a se levantar, sacudir a poeira e ir dançar mais um frevo. Mas até lá, vai ser dose. Você vai chorar todas as suas pitangas, vai falar dele (ou dela) em todas as rodas e no dia-a-dia para quem se aproximar de você, seja o padeiro da esquina ou o guarda de trânsito ― que veio te multar porque você não pára de chorar ao volante, não vê que o sinal abriu e fechou pelo menos umas três vezes e está atravancando toda uma fila de carros que buzinam lá atrás, sem contar que quase atropelou a velhinha com os dois poodles, pouco antes.

O pé-na-bunda de um abduzido é a coisa mais triste que pode haver em termos de relacionamentos amorosos. Triste porque ao longo da abdução o sujeito jogou o amor-próprio no lixo, submetendo-se às vontades do outro mais do que deveria. E agora, vai ter que voltar à lata de lixo, revirá-la até encontrar seu velho e puído amor-próprio novamente.

O abduzido não é um amante maduro. É aquele que quando dá por si, deixou de ouvir o rock de que tanto gostava, de ver os filmes cult ou os jogos de futebol, de vestir-se como sempre vestiu só porque Fifonho (ou Bodoquinha) não gosta. É aquele cara que se vê, certo dia, assistindo ao Domingo Legal no sofá da namorada (ou do namorado), com tios, primos e o papagaio do cônjuge, depois de um almoço-família, cujo menu inclui a famosa geléia de mocotó da matriarca e o frango na cerveja da tia gorducha de pele oleosa.

O abduzido geralmente é feliz em sua santa ignorância e acha que as reclamações de parentes e amigos quanto ao seu sumiço não passam de implicâncias com sua "alma-gêmea". Ele não consegue ir até o ponto de ônibus sem a ciência dela. Viajar com a turma, encontrar os amigos numa festa ou bar sem a presença dessa figura vigilante e onipresente, então, nem pensar. Ainda assim, o sorriso abestalhado que o abduzido estampa na cara não se desfaz nem mesmo quando Fifonho (ou Bodoquinha) o xinga ou o repreende em frente aos outros. Para se ter noção da dimensão do problema: ele chega a achar que flores de plástico são lindas.

Inevitavelmente, chega o dia em que o cônjuge se cans a de tanta servidão, de tanta falta de personalidade. Convenhamos, um capacho não inspira muita admiração. Nesse dia, então, você recebe sua carta de alforria. E ela vem assim, com um gosto amaríssimo, junto com uma bofetada e um ponta-pé. Você fica arrasado, achando que não poderia ter te acontecido coisa pior e acha que será impossível viver sem os maus-tratos a que estava tão acostumado. Mas, vai por mim, depois que a tempestade passar, você vai perceber que foi a melhor coisa que te aconteceu na vida e que se livrou de uma enorme encrenca.

Claro, bem antes disso, você vai olhar para o alto e pensar: "30 andares... deve ser o suficiente". Então, vai subir no alto do Edifício Acaiaca, em Belo Horizonte (ou no Mirante do Vale, em São Paulo; ou ainda no Rio Sul Center, no Rio). Vai encenar essa novela mexicana durante um bom tempo até se tocar que não tem coragem para tirar a própria vida. Mesmo assim, ainda não se convencerá de que era ruim com Fifonho (ou Bodoquinha ), melhor sem ele (ou ela).

Os amigos vão tentar te distrair e te chamar para a balada. Mas sua fossa será tamanha que vai afugentar quem chegar perto e, ô meu Deus, até mesmo os amigos vão ter que se revezar para te aturar. Que seja, amigo é prá isso.

Você ainda vai procurar seu ex-amor uma dezena de vezes, ensaiando uma reconciliação ou negociar um tempo, quem sabe... Não, você ainda não entendeu que quanto mais se arrasta, menos há chance de volta. E que, bobeando, o fato de não ter volta seja uma sorte maior do que ganhar a Mega-Sena acumulada por três vezes seguidas.

Depois de um mês sem fazer a barba (ou sem se depilar), você recebe um e-mail de consolo daquela amiga (ou amigo) que não via há anos. Um e-mail simples e curto, mas tão terno que faz você entender que o que recebia da ex (ou do ex) estava mais próximo do tapa do que do afago.

A garçonete do bar, ou o peão da obra da frente, dá uma piscadela e você pensa que não está tão mal assim. Aí você reage. Decide virar a página. Em menos de uma semana, já deu um trato no visual, se inscreveu num monte de curso que vivia dizendo que queria fazer ― inclusive o de gaita de fole, aquele instrumento desengonçado que Fifonho (ou Bodoquinha) sempre achou brega ―, encontra os amigos e resolve distribuir seu amor para a humanidade no carnaval de Diamantina.

Quando finalmente você se sente curado, o maldito Fifonho (ou a Bodoquinha) reaparece como que por milagre. Pensou melhor e percebeu que não pode viver sem você. E o que você faz?

Pára tudo!
Este é um momento decisivo, é o clímax de toda a sua curva dramática.
Já disse um sábio chinês que errar uma vez é humano, duas é burrice. Como o próprio termo diz, ex é ex. Já era. Passado, capicce? Toda maneira de amor vale a pena mas, em se tratando de relacionamentos amorosos, uma lei é universal: a da evolução das espécies. É o famoso "a fila anda". Sobretudo se você acaba de sair de uma abdução.

Suas pernas ainda tremem ao encontrar a figura, você sabe que se deixar, acaba tendo uma, duas, todas as recaídas do mundo. A carne é fraca? Então, ponha a mente para funcionar:

1º passo: Corra, Lola! Run, Forrest!
Evite o encontro ao máximo e vá procurar a sua turma. Vá viver! Vocês não têm mais nada para tratar (a não ser que tenham feito filhos no meio do caminho, aí a história é outra). O negócio é fazer as malas assim que sentir a aproximação do ponta-pé e sair correndo sem olhar prá trás. Lá na frente você vai começar a diminuir a toada, apreciar a paisagem, conhecer gente nova e interessante, assuntos instigantes e nem vai se lembrar de onde veio. Lembra o curso de gaita de fole? Pois é, aquilo lá rendeu um contato com a companhia de sapateado escocês Lord of the Dance e, veja só, aquela bailarina ruiva de cabelo cacheado tá te dando mole desde o primeiro ensaio. Fifonho? Bodoquinha? Quem?

2º passo: Ex não é amigo.
Ok, vocês foram o melhor amigo um do outro quando eram namorados. E nada impede que se falem amigavelmente vez por outra. Mas não vá achar que devem combinar saídas e encontros como se nada demais tivesse acontecido. Aconteceu. A casa caiu! E se você foi mesmo abduzido, uma amizade nefasta como aquela não acrescentará nada para a sua evolução pessoal. Deixe os encontros a encargo do destino: atravessando o sinal no meio da rua, xingando no trânsito, essas coisas...

3º passo: Deixe de ser masoquista!
Guardar e ler a cada dois dias as cartas, os e-mails, ver as fotos, ficar remoendo todas as lembranças, manter aquela quantidade de bibelô ou bichinho de pelúcia que só servem para acumular poeira e mágoa... Nada disso vai aplacar a falta que você está sentindo. Pelo contrário, isso só prolonga ainda mais o sofrimento e te faz perder um preciosíssimo tempo produtivo. Jogue tudo fora. Queime essa tralha toda, doe, jogue no rio, faça o que quiser, mas limpe o ambiente.

4º passo: Provocar ciúme pra quê?
Você saiu daquele relacionamento se sentindo a lasca da unha encravada do soldado raso da Primeira Guerra Mundial. Nada mais compreensível que agora queira "dar o troco", mostrar que está bem, que deu a volta por cima. O problema é quando quer mostrar que está melhor que o outro. Você começa a se render a subterfúgios na internet, por meio de amigos para fazer o ex (ou a ex) saber que você agora é secretário pessoal do Bill Gates ou que está "pegando" uma das (ou um dos) modelos do São Paulo Fashion Week. Se você comprar um boneco vudu numa loja de macumba, dá na mesma. Você acaba dedicando horas do seu precioso tempo nessa atividade estéril de continuar roendo o mesmo osso. Não percebe que se continuar na sua pode encontrar um prato de filé mignon mais à frente.

5º passo: Produza!
Quer esquecer alguém? Lembre-se de você mesmo e trabalhe! Trabalhe como nunca traba lhou antes na sua vida. 8, 9, 10, 15 horas por dia. Quando cansar, vá para a academia ou vá pedalar um pouco. Gaste energia numa caminhada. Nos fins-de-semana, divirta-se até desopilar o fígado. Vá ao cinema sozinho. Finalmente você não se sentirá obrigado a assistir aqueles filmes idiotas de ação ou aquelas baranguices românticas. A pipoca renderá mais e, de quebra, você se instrui com filmes edificantes.

6º passo: Não se iluda.
Tudo bem, você terá freqüentes arroubos de carência. Mas não vá achar que sair à caça em bares vai aplacar essa sua falta e te por diante da sua alma-gêmea, a quem você finalmente poderá confiar toda a sua existência e o seu amor. Pode "pegar" dez ou doze numa única noite. A cara-metade que lhe é destinada não estará nessa lista. Quando acordar, aquela ressaca moral e o vazio vão te dar um esfuziante "bom dia". E isso se repetirá ad infinitum, até você entender e aceitar que ninguém aparece na vida do outro para "salvá-lo".
Quando você finalmente aprender a cuidar de si mesmo e se virar, vai acabar topando com outra pessoa em igual condição e então contribuirá para a teoria darwiniana da evolução das espécies. Se não achar que é capaz de tal proeza, ao menos tenha certeza de que Fifonho ou Bodoquinha nunca mais terão assento no seu sofá. Como diria Armstrong (o cara da lua, não o trompetista, por Deus!), isso seria um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade.

Nota do Editor

Leia também "Receita para se esquecer um grande amor".



Pilar Fazito

Belo Horizonte, 28/7/2008
fonte: Digestivo Cultural

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